2004
Vagabundo
O espetáculo estreou Cine-Theatro Central em Juiz de Fora. Ney Matogrosso não perde o rebolado. Depois de uma temporada contida cantando Cartola, ele volta a pisar no terreno que gosta. Uma afinidade que nasceu das canjas que dava nos shows de Pedro Luís e a Parede desembocou em dois CD "Vagabundo" (Universal), com desdobramento em dois DVDs, um da etapa de ensaios e outro do registro do show gravado na integra no Olympia em São Paulo.
Sucesso de público e critica, “Vagabundo” ganhou alguns prêmios: foi eleito pelos críticos da APCA como um dos melhores discos de 2004 e de melhor grupo em 2005.
Ney volta e meia inventa um disco com músicas inéditas de compositores desconhecidos, estabelece uma parceria inusitada ou homenageia um mestre com sucessos e pérolas escondidas. O novo desafio de Ney foi um pouco de tudo isso: combinou sua voz de tenor à massa percussiva e à MPB urbana de Pedro Luís e a Parede. As duas partes preenchiam lacunas uma na outra de maneira surpreendentemente suave, provando mais uma vez que a busca pela novidade é sempre saudável.
A parte instrumental se garantia com folga: as diversas percussões tocadas pelos Paredes Celso Alvim, C.A. Ferrari e Sidon Silva, além do ótimo baixo de Mário Moura, soavam perfeitas com a guitarra de Ricardo Silveira, o violão e o alaúde de Pedro Jóia e os sopros de Glauco Cerejo: havia ocasiões em que a banda imprimia um peso roqueiro, normalmente ausente na música de Ney, canções mais arrastadas e agressivas como “Seres tupy” e “Vagabundo”; e outras em que os violões (incluído aí o de Pedro Luís), guitarra e sopros emprestam uma sofisticação aos arranjos que não costuma estar com a Parede, como na bela “Noite Severina” e em “Assim assado”, dos Secos & Molhados. A banda é tão boa que um virtuose como Ricardo Silveira se dá ao luxo de não aparecer muito, apenas enriquecia os arranjos.
Numa época em que o público não pára de consagrar discos de regravações, nada mais louvável do que a atitude de Ney Matogrosso, Pedro Luís e a Parede: um show com raros sucessos — e alguns deles, como “Assim assado”, “Caio no suingue” e “Napoleão”. A combinação de gerações, estilos, vozes e instrumentos funcionavam melhor quando a melodia era o elemento principal da canção. Provocador e um tanto zombeteiro, Jesus (de Pedro Luís e diversos parceiros) incita no refrão: "Vamos tirar Jesus da cruz/ porque o rapaz tá pregado naqueles pedaços de pau/ há mais de 2000 anos". Enquanto a corrosiva "O mundo" fechava sintetizando os conflitos de época.
Ney continua cantando com o mesmo registro de voz colorido de 30 anos atrás, quando abalou “as gerais” à frente dos Secos & Molhados. Cantar bem em qualquer canto, com personalidade, é para poucos hoje.
Obs: As músicas podiam sofrer algumas alterações no decorrer dos shows.
SET LIST
Notícias do Brasil (Os pássaros)
A Ordem é Samba
Fazê o Quê?
Serestupy
Transpiração
Interesse
Soul
Assim Assado
Noite Severina
Balada do Louco
Vagabundo
Disritmia
Martinho Da Vila
Inspiração
Caio no Suingue
Napoleão
Tempo Afora
Jesus
BIS
O Mundo
Sangue Latino
Fé Cega, Faca Amolada
Banda :
** Pedro Luís : Voz e Violão
** Pedro Jóia: Voz e Violão
** Celso Alvim: Percussão
** Mário Moura : Baixo
** C.A. Ferrari : Zabumba e Surdo
** Sidon Silva : Reco-Reco
** Glauco Cerejo: Sax-Soprano
** Ricardo Silveira : Violão
Produção:
*** Produtor - João Mario Linhares
** Produtor Executivo - Krishna Viegas
** Luz - Juarez Farinon / Ney Matogrosso
** Som –Sergio Murilo
** Cenario - Marcos
** Camarim - Marivaldo Santos
* texto e pesquisa de Marcia Hack